terça-feira, 11 de maio de 2010

Vende-se cidadania

Recife sediará um curso sobre Crédito de Carbono. Quem quiser aprender sobre como lucrar com a poluição precisa desembolsar 1.500 reais.

Se você ainda não sabe como esse comércio funciona, te explico de graça. É muito simples:

Os países da ONU que assinaram o Protocolo de Kyoto precisam atingir metas para reduzir a quantidade de Carbono que produzem. As empresas que atingem essas metas recebem certificados, os chamados créditos de carbono. Quem ultrapassa essas metas podem vender os créditos extras para aquelas que não completaram suas cotas. Esses créditos são negociados através da Bolsa de Valores tornando-se uma mercadoria.

O que eles não explicam no curso (até porque vai contra a idéia de lucratividade) é mais complexo.

Comercializar Carbono (a redução dele) é trocar o conceito de sustentabilidade por mercadoria. O problema não reside em estabelecer metas para reduzir a produção de poluentes, mas em fazer disso um negócio. Como no capitalismo tudo vira uma oportunidade, não é de se espantar. E isso acaba completamente com, o que creio ser, os princípios do Protocolo. Comprar créditos exime a empresa de sua responsabilidade ambiental. Vender créditos só alimenta o mercado oportunista. Isso não resolve o problema.

O objetivo de criar soluções "verdes" deveria ser a busca da sustentabilidade e não do lucro. Ser ecologicamente correto virou negócio. Quantas empresas não levantam a bandeira da responsabilidade social e ambiental mas por traz dessa fachada escondem uma política de exploração e injustiças?

"Pessoas, vamos ser mais verdes! Vamos fazer mais dinheiro!"

Só sei que daí não sai boa coisa.


Nenhum comentário:

Postar um comentário