sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sem Garantia


É difícil não relacionar o capitalismo à maioria dos problemas que enfrentamos. Palavras como lucro, poder e prestígio estão muito mais presentes na mente e nos objetivos do ser humano do que o bem comum. Talvez a ideia do capitalismo faça parte do nosso bem comum. Porém, vale considerar que lucro, poder e prestígio estão, em sua maioria, ligados ao individualismo, o que anula o interesse do próximo.

O que vemos hoje é o consumo desenfreado e imediatista. Não se pensa mais a longo prazo, a não ser em bens e interesses individuais: programar a compra de um carro novo, fazer uma especialização para concorrer a uma vaga de emprego que pague mais...

Sabe-se que a tecnologia está sempre avançando e se desenvolvendo. Equipamentos eletrônicos, por exemplo, estão ficando cada vez mais modernos e atuais. Mas não vemos o mesmo empenho das empresas que os fabricam em solucionar o problema do lixo eletrônico. Como o interesse principal delas é em vender mais e, consequentemente, lucrar mais, precisam criar e lançar novos modelos num espaço de tempo muito curto. O computador que você comprou ano passado estará ultrapassado no ano seguinte. Mas até lá, provavelmente alguma peça do seu computador irá quebrar, afinal, não foi feita para durar. Então você já terá mais um motivo para comprar o modelo mais novo.

Outro problema desse sistema é a duração da garantia do seu produto: geralmente de um ano. Mas o seu computador, a sua televisão, a sua máquina de lavar roupas estarão garantidos por apenas um ano? Eles dizem que sim. Depois disso, a empresa não se responsabiliza. Entretanto, ela terá um modelo muito mais moderno para te vender. Ou então você terá que reservar boa parte do seu salário com assistências técnicas. E comprimidos para dor de cabeça.

Num mercado tão competitivo e corriqueiro nada é feito para durar. O que tem vida longa é a enorme quantidade de lixo eletrônico que produzimos (sim, também somos responsáveis por ele). E aqui está a questão de não pensar a longo prazo considerando o todo, o bem estar do coletivo, não podendo esquecer o ambiente em que vivemos.

Para começar, lixo ocupa espaço, e este é finito. Mesmo que o caminhão de coleta o leve embora, ele não desaparece. Se o deixarmos no aterro ou o incinerarmos suas propriedades químicas liberarão gases tóxicos no nosso ambiente. Um estudo feito pelas Nações Unidas mostra que “entre 2007 e 2020, o lixo provocado por computadores velhos na África do Sul e na China ira duplicar para 400%”. Isso só para computadores! Atesta também que a venda de produtos eletrônicos irá aumentar significativamente em países como China, Índia, o continente Africano e a América Latina. Tanto desenvolvimento para criar e pouco interesse em renovar, em procurar soluções sustentáveis e fornecer uma garantia decente. Quantas pessoas não acumulam lixo eletrônico em casa sem saber o que fazer com ele? Onde estão as empresas na hora de nos mostrar soluções? Somos apenas consumidores ou cúmplices?

Será mesmo que todos preferem ser egoístas? Será a destruição da vida o nosso bem comum? Formamos um coletivo, somos todos responsáveis por esta estrutura atual. E não deveríamos ser individualistas ou imediatistas, pois o prazer que isso pode resultar será efêmero. Já os problemas, não.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Educação reprovada

Saiu no noticiário: Menina foi espancada na escola por alunos. Responsável pela escola transferiu os agressores para outra instituição.

Qual sentença não faz sentido?


Transferir os alunos é transferir o problema, é trocar seis por meia dúzia, é tapar o sol com a peneira. Como saber e garantir que os alunos receberão acompanhamento psicológico para entender a raiz do problema? A notícia não deveria acabar aí.

Aí esbarro num projeto de lei entregue pelo deputado Inocêncio Oliveira querendo transformar em lei a responsabilidade das escolas em coibir e combater todos os tipos de violência entre os alunos.

O governo de Pernambuco até criou o "Pacto pela Vida" onde em uma das ações policiais fazem ronda nas escolas. Não sei se a idéia é de mudar o conceito de polícia que temos hoje. Creio que não. Polícia, pra mim, ainda representa sinal de autoridade, intimidação e até ameaça.
Colocar um "puliça" nas escolas não resolve a raiz do problema.

Em uma escola no centro do Recife mesmo, alunos eram vistos consumindo drogas e bebida alcoolica no pátio em frente a escola.
A situação tomou uma forma tão grande que quando o problema acumula fica mais difícil pra resolver. Lá pelo visto não tinha nem polícia, nem educador.

Polícia é o de menos pois iria provavelmente recriminar, dar um tapa na mão do aluno e dizer pra não fazer mais isso. Polícia intimida mas não resolve. Quem quiser fazer "coisa errada ou proibida" faz de novo, em outra hora, em outro lugar.

Mas onde estão os educadores? Onde estão os pais? Quem era pra jogar no mesmo time acaba entrando pro time adversário.

Não acho que transferir a responsabilidade para a escola seja a solução mas acredito muito numa reforma no sistema educacional e numa parceria entre sociedade, pais e escola.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vende-se cidadania

Recife sediará um curso sobre Crédito de Carbono. Quem quiser aprender sobre como lucrar com a poluição precisa desembolsar 1.500 reais.

Se você ainda não sabe como esse comércio funciona, te explico de graça. É muito simples:

Os países da ONU que assinaram o Protocolo de Kyoto precisam atingir metas para reduzir a quantidade de Carbono que produzem. As empresas que atingem essas metas recebem certificados, os chamados créditos de carbono. Quem ultrapassa essas metas podem vender os créditos extras para aquelas que não completaram suas cotas. Esses créditos são negociados através da Bolsa de Valores tornando-se uma mercadoria.

O que eles não explicam no curso (até porque vai contra a idéia de lucratividade) é mais complexo.

Comercializar Carbono (a redução dele) é trocar o conceito de sustentabilidade por mercadoria. O problema não reside em estabelecer metas para reduzir a produção de poluentes, mas em fazer disso um negócio. Como no capitalismo tudo vira uma oportunidade, não é de se espantar. E isso acaba completamente com, o que creio ser, os princípios do Protocolo. Comprar créditos exime a empresa de sua responsabilidade ambiental. Vender créditos só alimenta o mercado oportunista. Isso não resolve o problema.

O objetivo de criar soluções "verdes" deveria ser a busca da sustentabilidade e não do lucro. Ser ecologicamente correto virou negócio. Quantas empresas não levantam a bandeira da responsabilidade social e ambiental mas por traz dessa fachada escondem uma política de exploração e injustiças?

"Pessoas, vamos ser mais verdes! Vamos fazer mais dinheiro!"

Só sei que daí não sai boa coisa.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

VII Pedalando pela Paz 2010

Algumas imagens do VII Pedalando pela Paz promovido pelo SESC - PE.


Foi bacana, muito bom ver a quantidade de gente presente pra curtir o domingo pedalando junto.

Entretanto, foi uma decepção ver:
- tanta gente jogando lixo no chão;
- muitos motoristas não respeitando os ciclistas;
- ciclistas não respeitando os pedestres;
- a falta de sinalização e avisos sobre a pedalada para alertar os bloqueios temporários das ruas.









quinta-feira, 6 de maio de 2010

voando alto

Acabei de ler na revista Algo Mais que uma empresa de aviação de Caruaru, a Noar, vai realizar voos entre o município e Recife, Maceió, Aracaju, João Pessoa, Natal, Campina Grande, Mossoró, Araripina, Serra Talhada e Fortaleza.

Uma viagem de ônibus entre Recife e Caruaru custa em média 15 reais. Um ônibus convencional tem, geralmente, 46 lugares.
Os aviões da Noar comportam apenas 19 passageiros. Não faço idéia de quanto custará para voar até Caruaru, mas o preço com certeza não será bonito.

Será que realmente precisamos voar entre distâncias tão pequenas? Precisamos mesmo de mais frotas aéreas?

Irônico notar que na mesma revista encontro a matéria "O Estado [PE] que mais sofrerá com o aquecimento global".

Parece piada mas João Alberto escreveu em sua coluna: "Um dos mais sérios problemas do Nordeste é a precariedade da malha aérea ligando as principais cidades da região. Assim, Eduardo Campos considera de maior importância a chegada da Noar..."

Um dos mais sérios problemas do Nordeste? Bom saber que o Governador aprova essa ideia.

Reconheço que não há linhas suficientes para certos destinos, principalmente dentro do interior. Eu já tive dificuldade em me locomover em certos lugares por não haver transporte público. E pegar táxi era pedir pra ser roubado. Pelo taxista. Somos todos dependentes de carro. Ninguém consegue se deslocar sem um. E numa dessas minhas experiências pegando ônibus, ou tentando achar um, é que sinto falta das maravilhosas linhas de trem. Por que ninguém aparece com essa ideia? Realmente seria necessário um investimento muito grande, mas imagine só, não seria uma delícia viajar pelo Brasil de trem?