É difícil não relacionar o capitalismo à maioria dos problemas que enfrentamos. Palavras como lucro, poder e prestígio estão muito mais presentes na mente e nos objetivos do ser humano do que o bem comum. Talvez a ideia do capitalismo faça parte do nosso bem comum. Porém, vale considerar que lucro, poder e prestígio estão, em sua maioria, ligados ao individualismo, o que anula o interesse do próximo.
O que vemos hoje é o consumo desenfreado e imediatista. Não se pensa mais a longo prazo, a não ser em bens e interesses individuais: programar a compra de um carro novo, fazer uma especialização para concorrer a uma vaga de emprego que pague mais...
Sabe-se que a tecnologia está sempre avançando e se desenvolvendo. Equipamentos eletrônicos, por exemplo, estão ficando cada vez mais modernos e atuais. Mas não vemos o mesmo empenho das empresas que os fabricam em solucionar o problema do lixo eletrônico. Como o interesse principal delas é em vender mais e, consequentemente, lucrar mais, precisam criar e lançar novos modelos num espaço de tempo muito curto. O computador que você comprou ano passado estará ultrapassado no ano seguinte. Mas até lá, provavelmente alguma peça do seu computador irá quebrar, afinal, não foi feita para durar. Então você já terá mais um motivo para comprar o modelo mais novo.
Outro problema desse sistema é a duração da garantia do seu produto: geralmente de um ano. Mas o seu computador, a sua televisão, a sua máquina de lavar roupas estarão garantidos por apenas um ano? Eles dizem que sim. Depois disso, a empresa não se responsabiliza. Entretanto, ela terá um modelo muito mais moderno para te vender. Ou então você terá que reservar boa parte do seu salário com assistências técnicas. E comprimidos para dor de cabeça.
Num mercado tão competitivo e corriqueiro nada é feito para durar. O que tem vida longa é a enorme quantidade de lixo eletrônico que produzimos (sim, também somos responsáveis por ele). E aqui está a questão de não pensar a longo prazo considerando o todo, o bem estar do coletivo, não podendo esquecer o ambiente em que vivemos.
Para começar, lixo ocupa espaço, e este é finito. Mesmo que o caminhão de coleta o leve embora, ele não desaparece. Se o deixarmos no aterro ou o incinerarmos suas propriedades químicas liberarão gases tóxicos no nosso ambiente. Um estudo feito pelas Nações Unidas mostra que “entre 2007 e 2020, o lixo provocado por computadores velhos na África do Sul e na China ira duplicar para 400%”. Isso só para computadores! Atesta também que a venda de produtos eletrônicos irá aumentar significativamente em países como China, Índia, o continente Africano e a América Latina. Tanto desenvolvimento para criar e pouco interesse em renovar, em procurar soluções sustentáveis e fornecer uma garantia decente. Quantas pessoas não acumulam lixo eletrônico em casa sem saber o que fazer com ele? Onde estão as empresas na hora de nos mostrar soluções? Somos apenas consumidores ou cúmplices?
Será mesmo que todos preferem ser egoístas? Será a destruição da vida o nosso bem comum? Formamos um coletivo, somos todos responsáveis por esta estrutura atual. E não deveríamos ser individualistas ou imediatistas, pois o prazer que isso pode resultar será efêmero. Já os problemas, não.
